Você acredita em mundos paralelos?
Eu sempre digo que tive infância em mundos paralelos. A primeira foi no interior do Paraná onde brinquei de subir em árvores e plantar bananeira no galho. Eu ficava dependurada igual a um macaco. Eu tinha um galho de goiabeira que era o meu avião. Subia nele e balançava o mais que podia para poder sentir o vento da liberdade. Eu voava na imaginação enquanto o galho balançava. Nunca nenhum adulto apareceu gritando: "Sai daí menina! O galho pode quebrar e você se machucar!" Quase sempre ao cair da tarde ficávamos “trepados” na cerca (era assim que falávamos: trepar na árvore, trepar no muro) esperando a boiada passar pela rua em frente da nossa casa. Sempre parávamos tudo o que estávamos fazendo para ver a boiada passar. Primeiro vinha o boiadeiro, montado em seu cavalo, tocando o berrante. Logo atrás o gado caminhava ordeiramente, sempre escoltado por boiadeiros que cavalgavam nas laterais para evitar que algum boi (ou vaca) se distraísse e tentasse sair do cortejo, mas ...