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Você acredita em mundos paralelos?

Eu sempre digo que tive infância em mundos paralelos. A primeira foi no interior do Paraná onde brinquei de subir em árvores e plantar bananeira no galho. Eu ficava dependurada igual a um macaco. Eu tinha um galho de goiabeira que era o meu avião. Subia nele e balançava o mais que podia para poder sentir o vento da liberdade. Eu voava na imaginação enquanto o galho balançava. Nunca nenhum adulto apareceu gritando: "Sai daí menina! O galho pode quebrar e você se machucar!" Quase sempre ao cair da tarde ficávamos “trepados” na cerca (era assim que falávamos: trepar na árvore, trepar no muro) esperando a boiada passar pela rua em frente da nossa casa. Sempre parávamos tudo o que estávamos fazendo para ver a boiada passar. Primeiro vinha o boiadeiro, montado em seu cavalo, tocando o berrante. Logo atrás o gado caminhava ordeiramente, sempre escoltado por boiadeiros que cavalgavam nas laterais para evitar que algum boi (ou vaca) se distraísse e tentasse sair do cortejo, mas ...

Gostosura ou travessura?

Às vezes eu tenho a impressão de que as crianças de hoje já nascem embaladas à vácuo, enroladas num plástico bolha e sempre com uma extensão acoplada para que em qualquer lugar possa plugar-se na TV, videogame ou internet. Elas não participam da vida, não são protagonistas e sim meros expectadores. Há alguns anos crianças que pulavam, corriam e se machucavam e tinham joelhos ralados, braços quebrados, cortes e arranhões eram consideradas crianças tipicamente saudáveis. Os pais até comentavam com os amigos sobre essas travessuras com certa ponta de orgulho, e claro esses comentários eram feito bem longe das crianças. Acho incrível que alguns brasileiros de plantão fazem festa do Halloween para as crianças. E elas fantasiadas e acompanhadas de um adulto (ou mais) vão de porta em porta empunhando uma sacolinha dizendo: “Gostosura ou travessura?”.  Se o dono da casa diz não ter doces o grupo calmamente vai para a casa seguinte. Grande parte dos condomínios, de médio padrão p...

Olha aí o Maninho e o saco de leite.

Estava eu tranquila em minha sala quando alguém interrompeu meus pensamentos e: - Oi moça. - Tá falando comigo garoto? - To sim. Eu sou o Maninho. Eu li a sua história contando sobre o Neco Peteco carregando sozinho o saco de açúcar. - Ahn sei... E o que achou da história, Maninho? - Bom, quer dizer... Eu acho que ele não andou quilômetros carregando um saco de 5 quilos de açúcar. -  E por que você acha isso Maninho? - Ah, porque a distância entre a casa e o empório não dava mais do que três quarteirões. - E como você sabe disso? - Porque eu sou o Maninho oras... Maninho do Neco. E eu ajudei o Neco Peteco a carregar o saco de açúcar. - Ah entendi. Você é o irmão do Neco. Agora faz sentido. Quer dizer que ele não arrastou o saco sozinho. Você o ajudou? - Bom, se ele carregou sozinho eu não sei. Ele deve ter carregado sim, mas eu me lembro de também ajudar a carregar o saco de açúcar. Oha que era bem pesado.  Ele colocava o saco nas costas e eu ia atrás seg...
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Neco Peteco e o saco de açúcar. É engraçado como a minha imaginação é rápida e fértil. Uma frase ou uma simples palavra podem me levar à construção de um cenário completo com personagens e toda a riqueza de detalhes que me espanta. Certa vez minha cunhada comentou: - Helô, você conta as coisas de um jeito que a gente entra na história. Parece de verdade. Você devia escrever essas histórias. É claro que eu não cri na conversa da minha cunhada. Até parece que meia dúzia de bobagens proferidas me tornaria uma escritora, mas a verdade é que eu tenho mesmo essa facilidade de criar cenários e histórias em minha cabeça e que raramente  vão para o papel, digo, computador. Certo dia eu estava conversando com meu companheiro sobre as aventuras vividas em nossa infância e as diferenças existentes entre a educação de hoje e da nossa época de pequenos. Em dado momento ele me contou que sua mãe o mandava buscar açúcar no empório e que ele andava quilômetros carregando um saco de ci...

Desejos de Verão

”Concurso Desejos de verão – 2010/2011“ Uma amiga enviou-me um e-mail sobre um concurso de um blog cujo tema era ”Desejos de verão“. Para participar era necessário redigir um texto com até 15 linhas ou 1100 caracteres sobre o tema. A princípio eu não dei bola para o concurso, mas um dia antes da data final resolvi exercitar o meu lado criativo e comecei a pensar (pensamento este com 1100 caracteres) em quais seriam os meus desejos de verão. Descrever em quinze linhas meus desejos de verão é difícil porque são muitos. Acredito ser essa uma dificuldade tipicamente feminina. Eu poderia ser piegas e elencar uma série de desejos do tipo propaganda de supermercado “O que faz você feliz?” E aí resultaria numa série de respostas formatadas e bonitinhas: Tomar um sorvete passeando de mãos dadas com o amado (desejo romântico), andar sob o sol com o meu cachorro, andar de bicicleta, olhar as crianças brincando na praça. Opa, opa, opa! Estou confundindo as coisas. Eu preciso descrever meus de...

Sorriso de menina, seu nome é Adelina.

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  Sorriso de menina, jeitinho adolescente. Seu nome é Adelina. Adelina rima com menina e acho que é a melhor palavra para descrevê-la. Em uma de suas visitas a São Paulo Adelina Menina veio a nossa casa e com seu jeitinho questionador foi logo perguntando há quanto tempo não íamos para o sul. Desarmados e cobrados face to face fomos visitar Adelina Menina. Fazia um calor infernal, mas ela nos recebeu com um gostoso almoço, mas antes com um delicioso uísque de roda. Sabe o que é uísque de roda? Sabe não? Vou te ensinar. Pegue um copo longo, encha com gelo quase até a borda, abra a sua melhor garrafa de uísque e derrame lentamente no copo quase até cobrir o gelo. Depois leve o copo até a roda de amigos e o copo deve girar até todos sorverem o conteúdo gole a gole. Aprendeu? Ah, um detalhe importante é que o copo não deve parar de passar de mão em mão. Quem segurava o copo por mais tempo levava bronca da Adelina Menina. Ficamos uma semana na casa de Adelina Menina, de riso fro...

Pela estrada afora eu vou...

A Europa é aqui. É interessante, mas apesar de eu ser do sul e meu marido também sempre quando pensamos em viajar escolhemos qualquer lugar do sudeste ou nordeste e raramente do sul. Tudo bem, nós fomos para o litoral de Santa Catarina algumas vezes, principalmente “Floripa”. Só que desta vez meu marido estava resolvido a visitar alguns parentes que vivem em Santa Catarina. E lá fomos nós heroicamente pegar a BR116. Que beleza! De São Paulo até Curitiba (de carro) levamos um pouco mais de cinco horas e depois até a cidade de Joaçaba foram mais cinco horas. . Nosso primo nos instruiu a pegar a estrada que iria por Curitibanos, mas meu marido resolveu dar uma chance para a mocinha do GPS e não é que ela resolveu nos guiar via uma estradinha totalmente diferente? Praticamente não circulava carros por essa estrada e sim caminhões. Muitos caminhões. O que mais me chamou a atenção nesta viagem foi a diferença gritante entre as regiões que margeiam as estradas de São Paulo, P...